A Superfície tem o prazer de apresentar José Resende: corpo escultórico, individual panorâmica do artista. Consolidando sua recente representação pela galeria, a mostra apresenta cerca de 18 trabalhos, incluindo uma instalação inédita, feita especialmente por ocasião da exposição.
José Resende é uma das figuras centrais da arte brasileira. Formado em arquitetura, foi um dos fundadores do Grupo Rex, em 1966, estabelecendo um campo de experimentação decisivo que redefiniu modos de produção, circulação e recepção da arte no país. Ao longo das décadas seguintes, sua obra se desdobra entre escultura, instalação e intervenção no espaço urbano. Em diálogo com a Arte Povera e o pós-minimalismo, sua prática investiga as propriedades físicas dos materiais — tubos de cobre, chapas metálicas, cabos de aço, vidro — frequentemente organizados em estruturas que tensionam equilíbrio, peso e permanência.
A exposição na Superfície reúne esculturas de parede e instalações no espaço, articulando trabalhos históricos e recentes. Ao longo do percurso, evidenciam-se questões centrais na prática do artista — como a relação entre matéria e força, tensão e equilíbrio, forma e instabilidade. Como observa Luiz Armando Bagolin — que assina o texto crítico da mostra —, nas esculturas de Resende “peso, compressão e apoio continuam visivelmente ativos, de modo que a estrutura deixa de funcionar como resolução formal e passa a manifestar-se como estado provisório de relações físicas”. A estabilidade, longe de ser dada, depende de uma negociação contínua entre os elementos que compõem cada trabalho.
A individual apresenta ainda uma obra inédita, concebida especificamente para a galeria, que levanta questões atreladas às transformações da cidade de São Paulo, tensionando a relação entre matéria, espaço e contexto urbano.
Com ampla inserção internacional, José Resende participou de importantes exposições como a Bienal de Veneza [1988], a Documenta 9, em Kassel [1992], e a Bienal de Sydney [1998], além de ter integrado a Bienal de Paris [1980]. Em 1984, recebeu a bolsa Guggenheim e residiu em Nova York, período em que realizou o trabalho posteriormente premiado pelo Hakone Open Air Museum, em Tóquio. Suas obras integram acervos como o do Museum of Modern Art [MoMA], em Nova York, e o da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
José Resende: corpo escultórico reafirma o compromisso da Superfície em acompanhar e apresentar trajetórias fundamentais da arte brasileira a partir da segunda metade do século XX, marcando um momento importante para a galeria, em diálogo com a relevância da trajetória de Resende.

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