Corpo escultórico
07.04 — 03.06.26
Artista: 

A Superfície tem o prazer de apresentar José Resende: corpo escultórico, individual panorâmica do artista. Consolidando sua recente representação pela galeria, a mostra apresenta cerca de 18 trabalhos, incluindo uma instalação inédita, feita especialmente por ocasião da exposição.

José Resende é uma das figuras centrais da arte brasileira. Formado em arquitetura, foi um dos fundadores do Grupo Rex, em 1966, estabelecendo um campo de experimentação decisivo que redefiniu modos de produção, circulação e recepção da arte no país. Ao longo das décadas seguintes, sua obra se desdobra entre escultura, instalação e intervenção no espaço urbano. Em diálogo com a Arte Povera e o pós-minimalismo, sua prática investiga as propriedades físicas dos materiais — tubos de cobre, chapas metálicas, cabos de aço, vidro — frequentemente organizados em estruturas que tensionam equilíbrio, peso e permanência.

A exposição na Superfície reúne esculturas de parede e instalações no espaço, articulando trabalhos históricos e recentes. Ao longo do percurso, evidenciam-se questões centrais na prática do artista — como a relação entre matéria e força, tensão e equilíbrio, forma e instabilidade. Como observa Luiz Armando Bagolin — que assina o texto crítico da mostra —, nas esculturas de Resende “peso, compressão e apoio continuam visivelmente ativos, de modo que a estrutura deixa de funcionar como resolução formal e passa a manifestar-se como estado provisório de relações físicas”. A estabilidade, longe de ser dada, depende de uma negociação contínua entre os elementos que compõem cada trabalho.

A individual apresenta ainda uma obra inédita, concebida especificamente para a galeria, que levanta questões atreladas às transformações da cidade de São Paulo, tensionando a relação entre matéria, espaço e contexto urbano.

Com ampla inserção internacional, José Resende participou de importantes exposições como a Bienal de Veneza [1988], a Documenta 9, em Kassel [1992], e a Bienal de Sydney [1998], além de ter integrado a Bienal de Paris [1980]. Em 1984, recebeu a bolsa Guggenheim e residiu em Nova York, período em que realizou o trabalho posteriormente premiado pelo Hakone Open Air Museum, em Tóquio. Suas obras integram acervos como o do Museum of Modern Art [MoMA], em Nova York, e o da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

José Resende: corpo escultórico reafirma o compromisso da Superfície em acompanhar e apresentar trajetórias fundamentais da arte brasileira a partir da segunda metade do século XX, marcando um momento importante para a galeria, em diálogo com a relevância da trajetória de Resende. 

Sem título

2025
Couro, correia de couro, vidro, cobre e parafina
85 x 33 x 18 cm

Sem título

2024
Couro sola, vidro, cobre e corda de sisal
87 x 40 x 60 cm

Sem título

2010/2011
Voil, parafina, chumbo, cobre, tela de aço
Wax, paraffin, lead, copper, steel mesh
and steel cable
e cabo de aço
139 x 60 x 15 cm

Sem título

2024/2025
Corda de algodão, renda e parafina
160 x 20 x 19 cm

Sem título

1985/2021
Chumbo
188 x 76 x 17 cm

Sem título

2025
Couro, cobre e cabo de aço
200 x 40 x 17 cm

Sem título

2010
Inox e cobre
90 x 80 x 80 cm

Sem título

2023
Cobre e cabo de aço
80 x 18 x 17 cm

Sem título

2024
Cobre e cabo de aço
86 x 52 x 30 cm

Sem título

1980
Tubo de borracha e fio de cobre
109 x 93 x 6 cm

Sem título

1980
Ferro, couro e cobre
200 x 3 x 74 cm

Sem título

1980
Ferro e cobre
200 x 15 x 60 cm

Sem título

1970
Madeira e chapa de aço inox
90 x 170 x 60 cm

Sem título

1980
Ferro dobrado
60 x 400 x 3,4 cm

Sem título

1987
Feltro e parafina
170 x 60 x 17 cm

Sem título

2010
Voil, cobre e cabo de aço
86 x 52 x 30 cm

Sem título

2017
Cobre
200 x 8 x 16 cm

Sem título

1985
Feltro e parafina
132 x 32 x 8 cm

Sem título

1985
Feltro
50 x 150 x 20 cm

Giacometti sentado

1991
Bronze, cabo de aço e feno
400 x 200 x 200 cm