A Superfície tem o prazer de apresentar Caderno de criação: criatura às avessas, primeira individual de Thiago Molon em São Paulo. Consolidando sua recente representação pela galeria, a mostra reúne cerca de 20 pinturas que nascem a partir de seus cadernos de desenho. Criando um universo próprio em que o imaginário popular, a memória e a ficção se fundem.
Natural do Rio de Janeiro, foi entre as ruas da comunidade do Vidigal que Thiago Molon foi aprimorando seu olhar atento ao mundo. Com 13 anos, já pintava muros e fachadas no morro, fazendo de lá o seu primeiro laboratório de experimentos. Formou-se em Design Gráfico pela PUC-Rio, mas pouco tempo depois já se dedicava integralmente à pintura. Hoje, o artista trabalha em um ateliê cercado pela mata atlântica, entre filodendros e samambaias.
Nos últimos dez anos, Thiago Molon mantém cadernos de desenho como principal instrumento de criação. Interessado nas manifestações culturais que permeiam diferentes lugares e realidades, é no miolo que se encontra a poesia. Ele desenvolve um vocabulário estético no qual rabisca criaturas e paisagens que fundem memórias pessoais a um repertório simbólico coletivo. Ele recolhe da cidade fragmentos — imagens, cores, tramas — e, no ateliê, converte-os em pintura, escultura e instalação.
No texto que acompanha a exposição, o jornalista e curador Leonel Kaz diz:
São corpos, feitos de trapos e transparências, imersos em formas de um certo cubismo, contemporâneo e curvilíneo. Muitas vezes, os corpos surgem dentro de molduras que lembram telhados de uma casa. É ali dentro que o espaço é habitado com seres de vísceras e ossaturas expostas, em cores opacas embora translúcidas, com um sentido de firmeza e beleza que salta diante de nosso olhar (seríamos nós mesmos, ali espelhados?).
Dialogando com referências que vão de Wifredo Lam e Diego Rivera às fotografias de Martín Chambi — e, por extensão, à tradição literária latino-americana do realismo fantástico —, o artista cria seus próprios folclores. O quintal e o formigueiro, por exemplo, surgem como índices de um imaginário comum que, isolado, desperta sentimentos profundamente pessoais. Não por acaso, os títulos de suas obras são sintéticos, se repetem e sugerem mais do que descrevem.
Com abertura marcada para terça-feira, 25 de novembro, Caderno de criação: criatura às avessas inaugura a representação de Thiago Molon pela Superfície e permanece em cartaz na sede da Oscar Freire até janeiro de 2026.

English












