Nascido na capital paulista em 1945, José Resende ingressou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1963, mesmo ano em que iniciou seus estudos em desenho no curso de gravura da Fundação Armando Álvares Penteado [FAAP]. Ainda no início dos anos 1960, passou a ter aulas com Wesley Duke Lee, figura essencial para sua trajetória — quem, segundo o artista, lhe “apresentou a condição de que fazer arte era, naquele momento, engajar-se na luta por uma inserção cultural das artes visuais”.
Em 1966, ao lado de seu professor Wesley Duke Lee, e de Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Frederico Nasser e Carlos Fajardo, fundou o Grupo Rex, uma cooperativa artística voltada à produção crítica em relação ao sistema da arte. Marcado pelo humor ácido, o grupo criou a Rex Gallery & Sons, espaço alternativo de exposição, e o jornal Rex Time, ambos como meios de provocação e intervenção no cenário artístico.
Embora contrário à submissão ao sistema tradicional, em 1967 participou de sua primeira Bienal e, no mesmo ano, expôs na Petite Galerie, de Franco Terranova, em uma “coletiva de quatro individuais”, ao lado de Luiz Paulo Baravelli, Carlos Fajardo e Frederico Nasser. Com esses artistas, fundou, em 1970, o Centro de Experimentação Artística Escola Brasil — espaço voltado à valorização de métodos de ensino não tradicionais nas artes visuais. No mesmo ano, apresentou seu trabalho no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro [MAM RJ] e, com a mesma exposição, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo [MAC USP].
Em 1974, ano em que se afastou das atividades da Escola Brasil, foi convidado por Pietro Maria Bardi para realizar sua primeira exposição individual no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand [MASP]. Em 1975, passou a atuar também como coeditor da revista Malasartes.
Se os trabalhos iniciais de José Resende eram marcados por uma atmosfera fantasiosa e um tom irônico, a década de 1970 representou uma virada em sua produção. Em diálogo com a Arte Povera italiana e o pós-minimalismo norte-americano, seu trabalho passou a explorar de modo mais incisivo as potencialidades expressivas dos materiais que utilizava: tubos de cobre, lâminas de chumbo, cabos de aço, chapas metálicas e ampolas de vidro. Suas obras ganharam escala e passaram a extrapolar os limites do cubo branco, ocupando o espaço urbano. Ao final da década, foi um dos 14 artistas convidados a criar uma escultura para a Praça da Sé, marco zero da cidade de São Paulo.
As décadas de 1980 e 1990 marcaram a ampliação de sua atuação internacional. Participou da Bienal de Paris em 1980 e, em 1984, recebeu a bolsa Guggenheim, permanecendo por um ano em Nova York, onde realizou o trabalho que posteriormente recebeu o prêmio de aquisição do Hakone Open Air Museum, em Tóquio. Nos anos seguintes, realizou um trabalho na Coreia do Sul por ocasião dos Jogos Olímpicos, participou da Bienal de Veneza em 1988, da Documenta 9, em Kassel, em 1992, e da Bienal de Sydney em 1998. Hoje, suas obras integram importantes acervos, como o do Museum of Modern Art [MoMA], em Nova York, e o da Pinacoteca do Estado de São Paulo.


Retrato de Meu Pai
1965
Fotografia acondicionada em caixa de acrílico e ferro
160 x 50 cm


Núpcias no Tapete Mágico
1965/1967


Laisons Dangereuses
1965/1967
Vinil estofado com algodão e corda
180 cm x 110 cm


Memórias do Horizonte Longínquo
1967
Alumínio, plástico, decalcomania e algodão


Bibelô: A Secção da Montanha
1967
Madeira revestida de laminado, acrílico e terra
116 cm x 30 cm


Sem título


Bibelô
1967
Madeira e acrílico
120 x 90 x 90 cm


Sem título
1970
Madeira e cabo de aço
150 x 500 cm


Sem título
1974
Cobre, alumínio e pedr
240 x 230 x 60 cm


Sem título
1974
Madeira e latão
70 x 90 cm


Sem título
1974
Pedra e ferro
—
Foto: Eduardo Ortega


Sem título
1974
Madeira e ferro
160 x 200 cm
—
Foto: Romulo Fialdini


Sem título
1979
Concreto armado, cimento, aço inox, aço corten e pigmento preto
400 x 1400 x 30 cm
—
Trabalho comissionado pela Prefeitura de São Paulo para a Praça da Sé.


Sem título
1980
Ferro e cobre
200 x 15 cm


Sem título
1980
Pedra e couro
—
Foto: Miguel Rio Branco


Sem título
1980
Alumínio e couro
190 x 400 cm


Sem título


Sem título
1980
Ferro, faca de aço e borracha


Sem título
1983
Vidro, agua, óleo e fio de couro
—
Foto:Antonio Saggese


Passante
—
Trabalho comissionado pela Prefeitura do Rio de Janeiro e instalado no Largo da Carioca.


Sem título


Sem título
1986
Couro e parafina
60 x 52 cm


Sem título
1987
Feltro e parafina
170 x 60 cm


Sem título
1990
Chumbo
80 x 40 cm


Sem título
1990
Parafina, couro e cobre
90 cm x 30 cm


Sem título
1991
Nylon, parafina e chumbo
300 x 150 cm
—
Foto: Antonio Saggese


Vênus
1991
Aço corten e chumbo
150 x 600 cm
—
Trabalho feito para a 9ª Documenta de Kassel em 1992, e depois instalado no centro da cidade do Rio de Janeiro.


Sem título
1993
Aço corten
400 x 1500 x 2800 cm
—
Trabalho realizado em homenagem ao centenário da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo


Sem título


Centopéia
1997
Aço corten
150 x 1200 x 60 cm
—
Inicialmente instalada na Avenida Paulista como parte da exposição coletiva promovida pelo Itaú Cultural, foi transferida
para o Jardim de Esculturas da coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo [MAM-SP]


Sem título
1999
Vidro e mercúrio
—
Foto: Vicente de Mello


Sem título
1999
Parafina e cobre
56 cm x 29,6 cm


Sem título
1999
Vidro, parafina e cabo de aço plastificado
58 x 31,5 cm


Sem título
1999
Gesso e câmara de ar de borracha
58 x 29,5 cm


Sem título
1999
Vidro, parafina e cabo de aço plastificado
76 x 31,5 cm


Sem título
2001
Projeto Arte/Cidade
Instalação temporária
com vagões de trem e
cabo de aço, Mooca, São Paulo
—
Foto: Christiana Carvalho
—
Trabalho comissionado pelo evento Arte/Cidade, organizado por Nelson Brissac, e instalado temporariamente na Radial Leste, em São Paulo


Sem título
2002
Chapa de ferro, cobre, cabo de aço e latão


Sem título
2002
Aço corten
257 x 90 cm


Sem título
2002
Aço corten
110 x 300 cm


Olhos atentos
2005
Aço corten
Mirante na orla de Guaíba, Porto Alegre
100 x 30000 cm
—
Obra comissionada pela 5ª Bienal do Mercosul


Sem título


Vista da exposição individual José Resende, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro [MAM-RI], 2011


Vista da exposição individual José Resende, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro [MAM-Rio], 2011


Sem título


Sem título


WOW
2015
Container
—
Trabalho comissionado pela Bienal de Vancouver, em 2015, e instalado em New Westminster


Sem título
2015
Aço inox
500 x 600 x 600 cm
—
Palais Royal, Paris, França


Vênus
1991
Aço corten e chumbo
150 x 600 cm
—
Vista da exposição individual José Resende, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2015
—
Foto: Nelson Kon
—
Trabalho feito para a 9ª Documenta de Kassel em 1992, e depois instalado no centro da cidade do Rio de Janeiro.


Vista da exposição individual José Resende, nPinacoteca do Estado de São Paulo, 2015
—
Foto: Nelson Kon


Vista da exposição individual José Resende, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2015
—
Foto: Nelson Kon


Vista da exposição individual José Resende, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2015
—
Foto: Nelson Kon


Vista da exposição individual José Resende, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2015
—
Foto: Nelson Kon


Sem título


Sem título


Sem título

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