Fernando Lemos
Exposições Individuais +

1952
Fotografias de várias coisas. Galeria de Março, Lisboa, Portugal.

1953
Fotografias. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1953
Fotografias. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

1954
Desenho. Galeria de Março, Lisboa, Portugal.

1954
Exposição individual. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1956
Exposição individual. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1958
Exposição individual. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1960
Exposição individual. Galeria de Arte São Luís, São Paulo.

1960
Exposição individual. Galerie 1900–2000, Paris, França.

1962
Exposição individual. Galeria de Arte São Luís, São Paulo.

1962
Exposição individual. Galerie 1900–2000, Paris, França.

1965
Retrospectiva 1953–1965. FAU-USP, São Paulo.

1967
Exposição individual. Galeria Cosme Velho, São Paulo.

1969
Pinturas. Galeria Bonino, Rio de Janeiro.

1973
Pintura / Signos Desmemoriados. Galeria Dinastia, Lisboa, Portugal.

1973
Pintura / Signos Desmemoriados. Galeria Dinastia, Porto, Portugal.

1973
Exposição individual. Galeria Múltipla de Arte, São Paulo.

1975
Exposição individual. Galeria Dinastia, Lisboa, Portugal.

1975
Exposição individual. Galeria Dinastia, Porto, Portugal.

1975
Exposição individual. Galeria Dinastia, Paris, França.

1975
Exposição individual. Galeria Arte Global, São Paulo.

1978
Tapeçarias Portuguesas. FAAP, São Paulo.

1980
O Artista e a Criança. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.

1982
Refotos dos Anos 40. Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa, Portugal.

1984
Exposição individual. Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo.

1985
Desenhos / Memórias. Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo.

1985
Fernando Lemos. Desenhos Memórias. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

1987
L'Artiste du Monde: desenhos. Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, França.

1992
Exposição individual / Mois de la Photo. Paris, França.

1994
À Sombra da Luz. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

1994
Desenho 3 momentos. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP, São Paulo.

1995
À Sombra da Luz. Universidade de Salamanca, Salamanca, Espanha.

1996
À Sombra da Luz. Fête du Livre, Aix-en-Provence, França.

1997
Pintura. Galeria 111, Lisboa, Portugal.

1998
Fernando Lemos: Fotografien. Handelskammer, Hamburgo, Alemanha.

1998
Exposição individual. Galerie Municipale du Château d'Eau, Toulouse, França.

1999
Os Signos Orgânicos. Casa Fernando Pessoa, Lisboa, Portugal.

2000
Telas e Aquarelas. Galeria Múltipla, São Paulo.

2004
À Sombra da Luz / À Luz da Sombra. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.

2004
À Sombra da Luz / À Luz da Sombra. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

2005
Fernando Lemos e o Surrealismo. Sintra Museu de Arte Moderna – Coleção Berardo, Sintra, Portugal.

2006
Fernando Lemos e o Surrealismo. Centro das Artes Casa das Mudas, Calheta, Madeira, Portugal.

2006
Realidade não é Tempo. FNAC, São Paulo.

2006
Exposição de Fotografias. Galeria Tempo, Rio de Janeiro.

2008
Fernando Lemos — Preto e Branco. Galeria Olido, São Paulo.

2008
À l'Ombre de la Lumière. Casa da Fotografia de Moscou / Museu de Arte Contemporânea de Moscou, Moscou, Rússia.

2010
Isto é Isto + Ex-Fotos. Fundação Arpad Szenes–Vieira da Silva, Lisboa, Portugal.

2011
Lá & Cá — Retrospectiva Fernando Lemos. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.

2011
Eu Sou Fotografia. Fundação Cupertino de Miranda, Vila Nova de Famalicão, Portugal.

2011
Eu Sou Fotografia. Palácio Galveias, Lisboa, Portugal.

2017
Fernando Lemos — Para um Retrato Coletivo em Portugal, no Fim dos Anos 40. Museu Coleção Berardo, Lisboa, Portugal.

2019
Fernando Lemos — Mais a Mais ou Menos. Galeria 111, Lisboa, Portugal.

2019
Fernando Lemos Designer. MUDE — Museu do Design e da Moda / Cordoaria Nacional, Lisboa, Portugal.

2019
Fernando Lemos — Azulejaria / Máscaras do Tempo. Galeria Ratton, Lisboa, Portugal.

2019
Fernando Lemos — mais a mais ou menos. Sesc Bom Retiro, São Paulo.

2024–2025
O Calígrafo Ocidental. Fernando Lemos e o Japão. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

2024–2025
Espólio de Fernando Lemos. Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

2026–2027
Quanto mais desejo, mais invento o que vejo. Instituto Moreira Salles, São Paulo.

Exposições Coletivas +

1946
1ª Exposição Geral de Artes Plásticas. Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa, Portugal.

1953
Pintores Portugueses Contemporâneos. Galeria de Março, Lisboa, Portugal.

1953
Prêmio da Jovem Pintura. Galeria de Março, Lisboa, Portugal.

1953
II Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1954
4º Salão Baiano de Belas Artes. Hotel Bahia, Salvador.

1954
Salão do IV Centenário de São Paulo. Galeria Prestes Maia, São Paulo.

1955
Cargaleiro, Lemos e Vespeira. Galeria Pórtico, Lisboa, Portugal.

1955
III Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1956
Prêmio Leirner de Arte Contemporânea. Galeria de Arte das Folhas, São Paulo.

1957
IV Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1957
IV Bienal de Tóquio. Tóquio, Japão.

1958
7º Salão Paulista de Arte Moderna. São Paulo.

1958
9 Artistas de São Paulo. Galeria Antígona, Buenos Aires, Argentina.

1959
50 Artistas Independentes. Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa, Portugal.

1959
1ª Bienal de Paris. Paris, França.

1959
V Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1959
Desenhistas Contemporâneos da América Latina. Pan-American Union, Washington, D.C., Estados Unidos.

1959
Artistas do Acervo do MAM/SP. Assunção, Paraguai.

1960
9º Salão Paulista de Arte Moderna. São Paulo.

1960
12 Artistas Brasileiros. Bezalel Museum, Jerusalém, Israel.

1961
2º Salão de Arte Moderna do Paraná. Curitiba.

1961
15 Desenhistas. Galeria IBEU Copacabana, Rio de Janeiro.

1961
VI Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1962
II Exposição de Artes Plásticas. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

1962
Desenhistas Modernos Brasileiros. Museu de Arte de Belo Horizonte, Belo Horizonte.

1962
Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1963
II Bienal Internacional de Arte Gráfica. São Paulo.

1964
O Rosto e a Obra. Galeria IBEU Copacabana, Rio de Janeiro.

1965
Brazilian Art Today. Royal Academy of Arts, Londres, Inglaterra.

1965
Brazilian Art Today. Viena, Áustria.

1965
VIII Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1966
O Artista e a Máquina. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

1966
O Artista e a Máquina. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP, São Paulo.

1967
IX Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1968
Fernando Lemos, George Torok e Jorge Bodansky. Galeria Astréia, São Paulo.

1968
I Bienal Internacional de Desenho Industrial. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

1970
II Bienal Internacional de Desenho Industrial. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

1970
II Panorama de Arte Atual Brasileira. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1970
III Bienal do Cartaz. Varsóvia, Polônia.

1972
Arte Multiplicada Brasileira. Múltipla de Arte, São Paulo.

1972
Múltiplos Brasileiros. Galeria Múltipla de Arte, São Paulo.

1973
Artistas Modernos Portugueses — Exposição Inaugural. Galeria Quadrum, Lisboa, Portugal.

1973
5 Peintres Portugais. Galeria Mony Galatchi, Paris, França.

1973
V Panorama de Arte Atual Brasileira. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1975
A Comunicação Segundo os Artistas Plásticos. Rio de Janeiro.

1976
Artistes Portugais Contemporains. Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, Paris, França.

1976
Arte Portoghese Contemporânea. Galleria Nazionale d'Arte Moderna, Roma, Itália.

1976
Arte Brasileira no Século XX: caminhos e tendências. Galeria Arte Global, São Paulo.

1977
Arte Portuguesa Contemporânea. Ministério das Relações Exteriores, Brasília.

1977
Arte Portuguesa Contemporânea. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

1977
Arte Portuguesa Contemporânea. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP, São Paulo.

1977
A Fotografia na Arte Moderna Portuguesa. Centro de Arte Contemporânea, Porto, Portugal.

1977
Colagem. Eucat Expo, São Paulo.

1978
As Bienais e a Abstração: a década de 50. Museu Lasar Segall, São Paulo.

1979
XI Panorama de Arte Atual Brasileira. Museu de Arte Moderna de São Paulo.

1979
XV Bienal Internacional de São Paulo. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1982
O Design no Brasil: história e realidade. Sesc Pompeia, São Paulo.

1983
Le Surréalisme Portugais. Galerie de l'UQAM, Montreal, Canadá.

1984
Tradição e Ruptura: Síntese de Arte e Cultura Brasileiras. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1987
80 Anos de Arte Moderna Portuguesa. Lisboa, Portugal.

1987
As Bienais no Acervo do MAC: 1951–1985. Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo.

1987
Projeto Arte Brasileira — Anos 50. MAB-FAAP, São Paulo.

1989
Peinture Portugaise Contemporaine dans une Collection Privée. Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, França.

1989
Viagem ao Papel nas Bienais Brasileiras. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1991
Cidadania: 200 anos da Declaração dos Direitos do Homem. Sesc Pompeia, São Paulo.

1992
Arte Portuguesa nos anos 50. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

1992
Aspects de la Photographie Portugaise. Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, França.

1993
Eram Brasileiros os que Ficaram. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.

1993
Exposição Luso-Nipo-Brasileira. MAB-FAAP, São Paulo.

1993
Obras para Ilustração do Suplemento Literário: 1956–1967. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

1994
Bienal Brasil Século XX. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

1994
O Rosto da Máscara. Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal.

1997
Livro de Viagens: a fotografia portuguesa de 1854 a 1997. Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal.

1998
Declaração Universal dos Direitos do Homem. 50 Anos. Lisboa, Portugal.

1998
O Que Há de Português na Arte Moderna Portuguesa. Palácio Foz, Lisboa, Portugal.

1998
Impressões: a arte da gravura brasileira. Espaço Cultural Banespa, São Paulo.

1999
Auto-retratos na Coleção do CAM. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

1999
Linhas de Sombras. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

1999
Cotidiano/Arte: O Consumo. Itaú Cultural, São Paulo.

2000
Brasil + 500 — Mostra do Redescobrimento. Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo.

2000
Brasil + 500 — Carta de Pero Vaz de Caminha. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.

2001
Surrealismo em Portugal: 1934–1952. Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz, Espanha.

2001
Surrealismo em Portugal: 1934–1952. Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Lisboa, Portugal.

2002
Surrealismo em Portugal: 1934–1952. Círculo de Bellas Artes, Madri, Espanha.

2002
México Imaginário: o olhar do artista brasileiro. Casa das Rosas, São Paulo.

2002
Quem Faz as Bienais. Galeria Múltipla de Arte, São Paulo.

2003–2004
Fernando Lemos. Alguns Amigos, 1949–1951. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

2004
Gabinete de Papel. Centro Cultural São Paulo, São Paulo.

2005
IX Bienal de Fotografia. Vila Franca de Xira, Portugal.

2005
Fotografia na Coleção Pirelli. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo.

2006
Clube de Colecionadores de Fotografia. Museu de Arte Moderna de São Paulo.

2006–2007
A Partir da Coleção. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

2007–2008
Apresentação da Coleção do CAMJAP. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

2008
Acervo fotográfico. Museu de Arte Moderna de São Paulo.

2024–2025
O Calígrafo Ocidental. Fernando Lemos e o Japão. Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

Fernando Lemos [Lisboa, Portugal, 1926—São Paulo, Brasil, 2019] foi artista plástico, fotógrafo, desenhista, pintor, designer gráfico e industrial e poeta. Integrante da terceira geração do modernismo português, construiu uma trajetória marcada pelo trânsito entre diferentes linguagens e pela investigação das relações entre imagem, palavra, gesto e matéria. Filho de uma rendeira e de um marceneiro-antiquário, esteve desde cedo próximo do trabalho manual.

Entre 1938 e 1943, estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e, posteriormente, frequentou o curso de pintura da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Paralelamente, trabalhou como desenhista em litografias industriais, experiência que se desdobraria em sua atuação nas artes gráficas e no design.

No final da década de 1940, aproximou-se do surrealismo português, em um contexto marcado pela censura e pela repressão do regime salazarista. Entre 1949 e 1952, dedicou-se intensamente à fotografia, desenvolvendo uma produção experimental baseada na sobreposição e dupla exposição de negativos, na manipulação, solarização e inversão de imagens.

A câmera tornou-se, para Lemos, um instrumento de construção e transformação da realidade. Corpos, rostos, objetos, interiores e sombras eram fragmentados, sobrepostos e deslocados, produzindo imagens entre o reconhecível e o abstrato. Seus retratos de artistas e intelectuais de sua geração — entre eles Mário Cesariny, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen e Maria Helena Vieira da Silva — também ultrapassam o registro documental, convertendo o retratado em matéria visual. Essa produção, realizada em poucos anos, seria redescoberta décadas mais tarde, especialmente a partir da exposição À Sombra da Luz, realizada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 1994.

Em 1953, Fernando Lemos deixou Portugal e estabeleceu-se no Brasil, onde viveu até o fim da vida. Suas fotografias foram apresentadas naquele mesmo ano nos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas seria sobretudo o desenho que marcaria sua inserção na cena artística brasileira.

Em 1957, recebeu o prêmio de Melhor Desenhista Nacional na IV Bienal de São Paulo. A partir de então, sua produção caminhou progressivamente em direção à abstração, articulando linhas, signos, campos de cor e formas geométricas e orgânicas. A distância de Portugal, contudo, não representou uma ruptura: a memória, o exílio e a relação entre ausência e pertencimento permaneceram presentes em sua produção visual e poética.

No Brasil, sua atuação se expandiu para a pintura, gravura, ilustração, tapeçaria e design gráfico e industrial. Participou ativamente da modernização da cultura visual brasileira, trabalhando em livros, revistas, publicidade, identidades visuais, exposições e projetos institucionais. Em 1962, fundou com o escritor Sidónio Muralha a Editora Giroflé, voltada à literatura infantil, para a qual desenvolveu o projeto gráfico. Também foi professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo [FAU-USP] e atuou em iniciativas relacionadas ao design, à documentação e à preservação da produção artística.

Em sua trajetória, arte e design não constituíram campos separados, e sim, nas diferentes possibilidades de investigação da forma, do signo, da palavra e do espaço. Em 1963, recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar caligrafia no Japão. A experiência aprofundou seu interesse pelo gesto, pela escrita, pelo vazio e pela relação entre espaço e movimento, elementos que passaram a ocupar lugar central em seus desenhos e pinturas.

A linha assumiria simultaneamente o caráter de signo, escrita e forma, aproximando a linguagem visual da caligrafia e da abstração. O contato com a cultura japonesa significou a incorporação de uma outra compreensão da relação entre corpo, gesto e imagem, reforçando o desenho como campo de pensamento.

A poesia acompanhou toda a trajetória de Lemos e manteve uma relação estreita com sua produção visual. Publicou Teclado Universal em 1953, seguido por Cá & Lá e outras coletâneas. Em sua obra, palavra e imagem frequentemente se confundem: o desenho pode assumir a estrutura de uma escrita, enquanto a palavra é explorada também por sua dimensão gráfica, sonora e visual.

Essa relação atravessa igualmente sua pintura, na qual signos parecem conservar vestígios de uma linguagem que não precisa ser decifrada. Nas últimas décadas de sua produção, retomou ainda a fotografia em trabalhos como Ex-fotos, série iniciada em 2014 a partir da intervenção sobre fotografias amadoras descartadas, retomando procedimentos de ocultamento, sobreposição e revelação presentes em sua produção surrealista.

A multiplicidade de sua produção é fundamental para compreender a singularidade de Fernando Lemos. Embora sua fotografia surrealista realizada em Portugal tenha adquirido especial reconhecimento, sua trajetória se constitui igualmente pelo desenho, pela pintura, pela poesia, pelo design e pela experiência do exílio.

Em sua obra, essas linguagens não se sucedem, mas se contaminam: a sobreposição experimentada na fotografia aparece na pintura; o gesto fotográfico encontra continuidade no desenho e na caligrafia; a palavra transforma-se em imagem; e o trabalho gráfico aproxima-se da construção artística. Reconhecido em Portugal e no Brasil, recebeu o Prêmio Nacional de Fotografia em 2001 e, em 2018, o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Sua obra ocupa um lugar singular entre a arte portuguesa e brasileira do século XX, atravessando diferentes meios e gerações sem se fixar em uma única linguagem. Entre fotografia e desenho, palavra e imagem, gesto e matéria, sua produção é marcada pela experimentação contínua e pela liberdade de construir novas formas de ver.

Obras

Luz teimosa

1949–1952
Fotografia analógica, ampliação sobre papel
47 x 47 cm

Sophia de Mello Breyner no castelo desde o cerco de Lisboa

1949–1952
Fotografia analógica, ampliação sobre papel

Luz do olhar

1949–1952
[Coleção Fundação Cupertino de Miranda]

Vespeira Figurativo

1949
Fotografia analógica em preto e branco, prova de gelatina e prata sobre papel
30 x 35 cm

Eu, poeta

1949–1952
Fotografia analógica em preto e branco, gelatina e sais de prata sobre papel
70 x 70 cm

Intimidade dos armazéns do Chiado

1949–1952
Fotografia analógica em preto e branco, prova de gelatina e prata sobre papel
40,7 x 40,7 cm

Concerto dos Manequins

1949
Fotografia analógica em papel Agfa

Reunião de Diretoria

1949
Fotografia analógica em preto e branco, prova de gelatina e prata sobre papel

A dança dos animais

1949[Coleção Arte Contemporânea /  Acervo IMS]

A mão e a faca: acordo secreto

1949–1952
Fotografia analógica em gelatina de prata sobre papel, preto e branco
[Acervo IMS]

Mão acesa

1949–1952
[Acervo IMS]

Nº 6

1971
Óleo sobre tela
120 x 120 cm

Sem título

1973
Óleo sobre tela
80 x 60 cm

Sem título da série A Televisão da Bicharada

1999
Tinta e aquarela sobre papel
27,80 x 50,30 cm
[Coleção Beatrix Overmeer]